| Discurso do Presidente do Conselho de Administração da Fundação D. Pedro IV
Uma Breve incursão pela história do princípio
Nasce uma Ideia
Uma Instituição de raiz cristã
Instituída em 25 de Março de 1834 em Sessão Geral na Sala dos Atos do Colégio dos Nobres.

A ideia foi de D. Maria II, em 1834 com 15 anos. Era a Rainha de facto, já em 1834 e assumida como Protectora da Sociedade. D. Pedro era o Presidente do Conselho da Presidência. O 1º Regulamento da Sociedade foi redigido pelo duque de Palmela, pelo Conselheiro de Estado Trigoso, e por D. Lourenço de Lima, nomeados por D. Pedro IV.
A Inovação
Estabelecimentos em Inglaterra e França só faziam a “educação e possível instrução da 1ª idade”, enquanto na Sociedade também se faziam “o da sustentação e limpeza corporal”. O Conselho avaliou que só a experiência poderia ditar as regras a seguir, “só a prática imediata, e miudamente seguida e observada, podia por uma parte elucidá-lo sobre o método a seguir, …” pelo que se estabeleceu “… uma primeira sala de asilo, que em pequeno pudesse servir como de experiência e continuamente observada, vigiada e corrigida, apresentasse uma norma para os ulteriores estabelecimentos”. Sem dúvida um exemplo de investigação experimental nas ciências sociais.
A Sala Experimental
A Sala de experiência, às Escolas Gerais, teve 21 crianças pobres, que foram convidadas pela Inspectora D. Ana Mascarenhas de Ataíde nas próprias casas das famílias! Pouco depois havia mais pretendentes do que lugares para crianças! A 1ª Mestre foi Maria Eufrazia dos Reis (“mãe de família recomendável pela educação moral e exemplar de três filhos”) e a 1ª ajudante a sua filha Maria da Conceição (“pela doçura, afeição e carinho”), e chefiava a Casa o marido da Mestre, José dos Reis (pela sua “caridade e zelo gratuito”). A 1ª Sala experimental abriu a 8 de Maio de 1834. A Casa do Menino de Deus, cedida pela Irmandade dos Terceiros do Menino de Deus, abriu a 14 de Julho com capacidade para 100 crianças e recebeu as crianças da Sala experimental, que fechou. Cada escola tinha um conselho local, com infantas e titulares da Corte, que eram as Inspetoras. Ensinava-se a ler, escrever e contar, às meninas “ os trabalhos de agulha”, e a doutrina cristã. Uma Comissão analisava as Contas de 6 em 6 meses. Casa da Junqueira (parte da Cordoaria) ainda é cedida por D. Pedro IV, e abriu em 17 de Agosto de 1834. A Casa de Calafates abre também em 1834, a 2 de Novembro.

As Despesas
Parte das obras eram mandadas fazer pela Rainha D. Maria II (e por seu Pai, D. PedroIV). Havia 3 jogos de roupa por aluno (bibes de riscado azul, lenço, guardanapos, toalha de mãos) custando 1$068 Reis cada aluno. Eram 60 alunos por casa como número desejável. Consideravam-se dois tipos de despesa: 1ª - obras, mobília, roupas, 2ª - sustento, pequenas despesas diárias, ordenados das mestras e serventes. A despesa diária de cada aluno era de 70 Reis e os ordenados eram 41% da despesa geral, na Sala experimental, que foram reduzidas depois a cerca de 30%.
As Receitas
No 1ª ano a Receita foi de 3.512$050 Reis, a Despesa de 1.458$323 Reis, originando um saldo de 2.053$727 Reis. A receita era assim composta: - 73% subscrições anuais, 4% da receita da Família Real - 22% Donativos em dinheiro (inclui 11$320 Reis do produto do jogo dum bilhar particular, e o valor de objetos doados) - 5% de 165 comutações de penitências autorizadas pelo Sr. Arcebispo de Lacedemonia.

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